Texto: “A Informação como Mito”, de Langdon Winner

Um artigo que gosto muito, A Informação como Mito de Langdon Winner, que estava disponível neste domínio, pelo jeito saiu do ar. Não encontrei ele em outro lugar na internet, então fiz uma busca rápida no WayBackMachine do site Internet Archive (site que mantém um histórico da internet desde 1996), e o reencontrei uma versão do artigo de 30 de julho de 2010. Para torná-lo mais acessível novamente, vou copiar e colar ele aqui abaixo. A tradução do artigo é de Paola Manica, Angelita Kasper e Luciana.

A Informação como Mito

Langdon Winner

O poder dos computadores é essencial para a realização de um futuro em que a maioria cidadãos se informará, estará interessada e envolvida no processo de governar. J.C.R. Licklider

Na Europa do século XIX um recorrente gesto cerimonial assinalava o progresso das insurreições populares. No momento em que parecia que estas forças de erupção nas ruas eram suficientemente poderosas para derrubar a monarquia autoritária, um proeminente líder rebelde iria ao parlamento ou à prefeitura para “proclamar a república”. Isso era uma indicação, para amigos e inimigos, de que a revolução estava preparada para levar seu trabalho a sério, para tomar o poder e começar um governo que garantisse a representação política a todas as pessoas. Os eventos subseqüentes, naturalmente, nem sempre combinavam com essas grandes esperanças; às vezes os revolucionários eram impedidos em suas ambições e os governos reacionários recuperavam o controle. Apesar de tudo, que momento glorioso quando a república era declarada! Então, mesmo que por um instante, havia a promessa de uma nova ordem – uma era de igualdade, justiça e emancipação da humanidade.

Um gesto similar se tornou um aspecto padrão nos textos contemporâneos sobre computadores e sociedade. Em incontáveis livros, artigos de revistas e outras mídias, algumas intrépidas almas se adiantaram em proclamar “a revolução”. Freqüentemente é chamada simplesmente de “a revolução da informática”; minha breve inspeção em catálogos de bibliotecas revelou três livros com esse exato título desde 1962. Outras variantes populares incluem a “revolução da informação”, a “revolução dos microeletrônicos” e a “revolução da rede”. Mas seja qual for o rótulo, a mensagem é quase sempre a mesma. O uso de computadores e tecnologias avançadas em comunicações está produzindo um conjunto devastador de transformações na vida social. Um consenso informal entre os especialistas em computação (computer cientists), sociólogos e jornalistas confirma o termo “revolução” como o mais adequado para descrever esses eventos. “Nos sentimos todos privilegiados”, declara um notório especialista em computação, “por estarmos nessa grande revolução da informação onde o computador irá nos afetar profundamente, provavelmente mais do que a Revolução Industrial”. Um conhecido sociólogo escreveu que “essa revolução na organização e no processamento de informações e conhecimento, onde o computador é o protagonista, tem como contexto o desenvolvimento do que chamei de sociedade pós-industrial”. Em intervalos freqüentes durante os últimos 12 anos, chamativas matérias de capa na Time e Newsweek repetiram essa estória, com clímax na Time, que selecionou o computador como seu “homem do ano” em 1982.

É claro que a mesma sociedade que agora está passando pela revolução da informática a tempos se acostumou com revoluções em detergentes, desodorantes, ceras e outros produtos de consumo. Esgotada nos slogans publicitários da Madison Avenue, a imagem perdeu muito do seu impacto. Mas aqueles que a empregam para falar de computadores e sociedade parecem estar fazendo reivindicações muito mais sérias. Eles oferecem uma poderosa metáfora, que nos convida a comparar o tipo de rompimento visto nas revoluções políticas com as mudanças que vemos acontecerem em torno dos sistemas de informação computadorizada. Vamos levar esse convite a sério e ver no que dá.

Uma Metáfora Explorada

Suponha que observamos uma revolução em um país do 3o. mundo, a revolução os Sandinistas na Nicarágua, por exemplo. Iríamos querer começar estudando as metas fundamentais dessa revolução. É um movimento realmente comprometido com a justiça social? Procura manter um ideal válido de liberdade humana? Aspira a um sistema de leis democráticas? Respostas a essas perguntas nos ajudarão a decidir se essa revolução merece ou não o nosso apoio. Pelo mesmo caminho, queremos perguntar sobre os meios que os revolucionários escolheram para atingir suas metas. Tendo sucesso na luta armada, como irão lidar com a violência e a força militar uma vez que estiverem no controle? Uma pessoa sensata também gostaria de aprender alguma coisa sobre a estrutura da autoridade institucional que a revolução vai tentar criar. Haverá eleições abertas e freqüentes? Que sistemas de tomada de decisões, administração e aplicação da lei vão ser colocados em prática? Ficando a par de seus meios e fins, um observador compreensivo poderia então assistir à revolução se desdobrar, notando se se manteve fiel a seus propósitos e se teve sucesso em suas reformas.

Os revolucionários mais dedicados da idade moderna têm desejado dar respostas públicas coerentes a questões desse tipo. Então não é insensato esperar que questões como essas devam ter mantidos ocupados aqueles que tanto usaram a metáfora “revolução” para descrever e celebrar o advento da “computadorização”. Infelizmente esse não é o caso. Livros, artigos e outras mídias direcionadas à audiência popular ficam geralmente satisfeitos em descrever a maravilhosa magnitude das inovações técnicas e efeitos sociais. Escritas como se fosse em algum formato universalmente aceito, tais matérias descrevem as vitórias dos novos produtos e processos de informática, anunciam o enorme valor do dólar da crescente indústria de informática e comunicações. pesquisam o uso expansivo do computador em escritórios, fábricas, escolas e lares, e oferecem boas notícias dos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento sobre a grande promessa da nova geração de artigos de informática. Junto com isso, lê-se sobre os muitos impactos que a computadorização vai oferecer em todos as esferas da vida. Profissionais de diferentes áreas – médicos, advogados, gerentes corporativos e cientistas – comentam sobre as mudanças que os computadores trouxeram ao seu trabalho. Consumidores caseiros dão testemunhos explicando como PCs estão ajudando a educar suas crianças, preparar seu imposto de renda e organizar suas receitas. De vez em quando essa matéria sobre felicidade generalizada incluirá relatórios sobre pessoas que perderam seus empregos em ocupações que se automatizaram. Quase sempre, se essa fórmula for seguida, haverá uma ou duas frases obrigatórias de crítica da cultura da informática, fornecidas por um porta-voz tecnicamente qualificado, numa tentativa de balancear uma visão que seria totalmente corajosa.

Infelizmente, a dominância de descrições e prognósticos tão superficiais e arreflexivos sobre a computadorização não pode ser atribuída tão-somente ao jornalismo impaciente. Alguns dos mais prestigiados diários da comunidade cientifica ecoam a reivindicação de que uma revolução está acontecendo. Um conhecido especialista em computação anunciou desembaraçadamente que “revolução, transformação e salvação estão todas para se realizarem. É verdade que abordagens mais sérias ao estudo dos computadores e da sociedade podem ser encontradas em publicações acadêmicas. Alguns sociólogos, especialistas em computação e filósofos começaram a explorar importantes aspectos sobre como a computadorização funciona e que desenvolvimentos, positivos ou negativos, pode trazer para a sociedade. Mas tais cuidadosos e críticos estudos são os que menos influenciam na formação da atitude publica no mundo dos microeletrônicos. Um editor de uma publicação de NY declarou que “as pessoas querem saber o que há de novo nas tecnologias computacionais. Não querem saber o que pode dar errado”.

Parece impossível para os entusiastas dos computadores examinar criticamente as conseqüências a que podem guiar os desenvolvimentos revolucionários que eles antecipam. Eles empregam a metáfora da revolução com apenas um propósito – sugerir uma convulsão social drástica, que vai ser recebida como boa noticia pelas pessoas. Nunca lhes ocorre investigar a idéia ou seus significados mais profundamente.

Alguém pode supor, por exemplo, que uma revolução desse tipo envolveria uma mudança no poder; afinal, é exatamente o que alguém espera em revoluções políticas. Algo similar acontecerá nesse caso?

Alguém pode supor também se essa revolução vai ou não estar fortemente comprometida, como as revoluções geralmente estão, com um conjunto particular de idéias. Se sim, quais idéias importam? Onde as vemos sendo discutidas?

Mencionar revolução também traz à mente as relações de diferentes classes sociais. A revolução da informática irá trazer a vitoria de uma classe sobre outra? Haverá um realinhamento de classes?

No ocupado mundo da ciência, da engenharia e do marketing da computação, tais questões raramente vêm à tona. Aqueles ativamente comprometidos em promover a transformação – engenheiros de hardware e software, administradores de firmas de microeletrônicos, vendedores de computadores e outros – estão ocupados com suas próprias metas: a divisão de mercado, os belos salários, a intrínseca alegria da invenção, as recompensas intelectuais da programação, e os prazeres de mexer e possuir um computador poderoso. Mas o dinamismo da atividade técnica e econômica na industria de computadores evidentemente deixa a seus membros pouco tempo para pensar sobre o significado histórico de suas próprias atividades. Eles devem lutar para se manterem atualizados, para estarem na crista da onda enquanto ela quebra. Como um membro da Data General´s Eagle Computer Projects descreve, o espirito que prevalece é o de um jogo de pinball: “você vence o jogo, você tem que jogar outra vez. Você vence a maquina, você tem que construir outra”. O processo tem sua própria inércia.

Assim, procura-se em vão entre os agitadores e jogadores dos campos da informática tentando achar insights políticos e sociais que caracterizaram os revolucionários do passado. Cromwell, Jefferson, Robespierre, Lenin e Mao foram capazes de refletir sobre os eventos históricos do mundo em que eles protagonizaram. Pronunciamentos públicos de pessoas como Robert Noyce, Marvin Minsky, Edward Feigenbaum e Steven Jobs não mostram tal sabedoria sobre as transformações que tão habilmente ajudaram a criar. A revolução da informática é conspicuosamente silenciosa sobre seus fins.

Bom Aparato, Boa Rede, Bom Computador

A minha preocupação com o significado político de revolução nesse contexto pode parecer um tanto enganadora, e até contumaz. Provavelmente um ponto de referência muito melhor sejam as “revoluções” técnicas do passado e os transtornos sociais associados a elas – a revolução industrial em particular. Se os entusiastas da “computadorização” tomaram esta comparação de bom grado, estudando períodos históricos anteriores em busca de similaridades e diferenças nos padrões de inovação tecnológica, formação de capital, emprego, mudança social e outros, então ficará claro que eu escolhi a aplicação errada desta metáfora. Mas, na verdade, não encontram-se comparações desse tipo bem resolvidas na literatura sobre a revolução do computador. Um ponto de vista consistentemente ahistórico prevalece. Entretanto, encontra-se com freqüência uma visão de condições políticas e sociais alteradas drasticamente, um futuro apontado como ao mesmo tempo desejável e, em todas as probabilidades, inevitável. Política, em outras palavras, não é uma segunda preocupação para muitos dos entusiastas do computador; é uma parte crucial, embora desatenciosa, da sua mensagem.

Nós estamos, de acordo com o relatório padrão, nos dirigindo para uma era caracterizada pela dominância esmagadora dos sistemas eletrônicos de informação em todas as áreas da prática humana. A sociedade industrial, a qual dependeu da produção material para sobreviver, está sendo suplantada por uma sociedade dos serviços de informação, que possibilitará que as pessoas satisfaçam suas necessidades econômicas e sociais. Aquilo que as máquinas movidas a água – e a vapor – foram para a era industrial, o computador será para a era que está surgindo agora. As capacidades técnicas sempre em expansão na computação e nas comunicações tornarão possível o acesso universal, instantâneo a enormes quantidades de informação valiosa. Como essas tecnologias tornam-se cada vez menos caras e cada vez mais convenientes, todas as pessoas do mundo, não apenas a riqueza, terão condições de usar os maravilhosos serviços que as máquinas da informação colocam à disposição. Gradualmente, as diferenças existentes entre ricos e pobres, vantagens e desvantagens, começaram a evaporar. O difundido acesso a computadores vai produzir uma sociedade mais democrática, igualitária e bastante diversa de qualquer outra previamente conhecida. Porque “conhecimento é poder”, porque a informação eletrônica vai espalhar conhecimento por todas as esquinas da sociedade mundial, a influência política será compartilhada mais amplamente. Com o computador pessoal servido como o grande equalizador, o comando de uma autoridade centralizada e a dominância de uma classe social vão gradualmente se apagar. A maravilhosa promessa de uma “vila global” será completa com uma explosão mundial da criatividade humana.

Uma amostra de escritos recentes sobre a sociedade da informação ilustra essas grandes expectativas.

O mundo está entrando num novo período. A riqueza das nações, que dependeu da terra, do trabalho e do capital durante as fases agrícolas e industriais – dependeu de reservas naturais, da acumulação do dinheiro e até mesmo de armamentos – dependerá, no futuro, de informação, conhecimento e inteligência.

A revolução eletrônica não vai suprimir o trabalho, mas sustenta algumas promessas: os trabalhos mais chatos podem ser feitos por máquinas; longos deslocamentos podem ser evitados; nós podemos ter lazer o suficiente para manter atividades interessantes fora do nosso trabalho; a destruição do meio-ambiente pode ser evitada; as oportunidades para a criatividade pessoal serão ilimitadas.

Longas listas de serviços específicos traduzem a promessa utópica dessa era: televisão interativa, transferência de fundos eletrônica, instruções através de computadores, novos serviços customizados, revistas eletrônicas, correio eletrônico, teleconferências por computador, mercado de ações on-line, previsão do tempo on-line, páginas amarelas computadorizadas, compras pelo computador de casa e assim por diante. Tudo isso deve compôr uma renascença cultural.

Independentemente de quais sejam os limites de crescimento dos outros campos, não há limites próximos para as telecomunicações e a tecnologia eletrônica. Não há limites próximos para o consumo de informação, para o crescimento da cultura ou para o desenvolvimento da mente humana.

As comunicações baseadas no uso do computador podem ser usadas para tornar as vidas dos homens mais ricas e livres, possibilitando que os indivíduos tenham acesso a vastos depósitos de informação, a outras “reservas humanas”, e a oportunidades de trabalho e sociabilidade em um nível mais flexível, barato e conveniente do que nunca.

Quando estes sistemas estiverem difundidos, as redes de comunicação potencialmente intensas entre pessoas geograficamente dispersas serão atualizadas. Nós seremos uma Nação-Rede, trocando grandes quantidades de informação e comunicação social e emocional com colegas, amigos e “estranhos”, que estão espalhados por toda a nação.

Uma rica diversidade de subculturas será apoiada pelos sistemas de comunicação computadorizados. Mudanças sociais, políticas e técnicas vão produzir condições propícias ao surgimento de grupos com valores, atividades, linguagem e vestuário distintivamente próprios.

De acordo com este ponto de vista, a revolução computacional vai, em seu momento de glória, eliminar muitos dos males que têm envergonhado a sociedade política desde o início dos tempos. A desigualdade da riquezas e dos privilégios vai gradualmente desaparecer. Um autor prevê que as redes de computadores vão “oferecer oportunidade enormes para que os grupos desfavorecidos adquiram as características e os laços sociais necessários para se tornarem verdadeiramente membros da sociedade”. Outro espera ansiosamente pela “rede revolucionária em que cada nó é igual em poder a todos os outros. A informação se tornará a forma de riqueza dominante. Por causa de sua rápida e livre fluidez através das redes de computador ela não vai, nesta interpretação, causar os tipos de estratificação associados às tradicionais formas de propriedade. Todas as formas de organização social detestáveis serão substituídas. “O computador achatará a pirâmide”, um best-seller proclama. “Nós criamos o sistema hierárquico, piramidal, gerencial porque nós precisávamos fiscalizar as pessoas e as coisas que as pessoas faziam. Com o computador fiscalizando, nós podemos reestruturar nossas instituições horizontalmente”. Assim, a proliferação da informação eletrônica vai gerar um efeito cujo nível ultrapassará os sonhos dos grandes reformadores da história.

O mesmo ponto de vista sustenta o fato de que as perspectivas para a democracia participativa nunca foram melhores. De acordo com um grupo de cientistas sociais, “a forma de democracia encontrada na antiga Cidade-Estado grega, no kibbutz israelense e nos encontros políticos das cidades da Nova Inglaterra, que deram a todos os cidadãos a oportunidade de participar diretamente no processo político, se tornou impraticável na sociedade de massa da América. Mas esse não é sempre o caso. Existem meios técnicos através dos quais milhões de pessoas podem entrar em contato umas com as outras e com seus representantes, podendo, assim, alcançar o consenso autêntico, que essencial à democracia.

O cientista da computação J. C. R. Licklider, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) é um defensor especialmente esperançoso quanto à revitalização do processo democrático. Ele aguarda ansiosamente por um “ambiente de informação que dará à política mais profundidade e dimensão do que ela tem agora”. Computadores em casa e aparelhos de TV estarão ligados entre si em uma grande rede. “O processo político será, essencialmente, uma teleconferência gigante, e uma campanha será uma série de comunicações entre os candidatos, propagandistas, comentaristas, grupos de ação política e eleitores que durará meses”. Um esquema como esse vai, nessa forma de pensar, encorajar um exame mais aberto e compreensivo tanto das plataformas quanto dos candidatos. “A revolução da informação” ele exclama, “está trazendo consigo a chave que pode abrir a porta para uma nova era de envolvimento e participação. A chave é a animação auto-motivada que acompanha a interação realmente efetiva com a comunicação através de um bom aparato, de uma boa rede até um bom computador”. Isso é, resumidamente, uma democracia das máquinas.

Tomadas como um todo, convicções como essa constituem o que eu posso chamar de informação como mito (mitinformação): a fé quase religiosa de que a adoção em massa dos computadores e dos sistemas de comunicação, juntamente com o fácil acesso às informações eletrônicas, vai produzir automaticamente uma mundo melhor para os homens viverem. É uma forma peculiar de entusiasmo que caracteriza os modismos sociais das últimas décadas do século XX. Muitas pessoas que se tornaram céticas ou desencorajadas em relação a outros aspectos da vida social estão completamente fascinadas pelas qualidades supostamente libertárias dos computadores e das telecomunicações. Desenvolvedor dos computadores de “quinta geração”, o autor japonês Yoneji Masuda prevê rapsodicamente “liberdade para cada um de nós para determinar metas individuais de auto-realização e então, talvez, uma renascença religiosa mundial, caracterizada não pela fé em um deus sobrenatural, mas por espanto e humildade frente ao espírito humano de coletividade e sua sabedoria, a humanidade vivendo em uma tranqüilidade simbólica com o planeta em qual nos encontramos, regulada por um novo conjunto de éticas globais.

Não é incomum que o advento de uma nova tecnologia abra espaço para o aparecimento breve de uma fantasia utópica. Durante os últimos dois séculos a manufatura, a estrada de ferro, o telefone, a eletricidade, o automóvel, o avião, o rádio, a televisão e a energia nuclear figuraram proeminentemente na crença de que uma nova e gloriosa era estava prestes a começar. Mas mesmo dentro grande tradição de tecnofilia otimista, o atual sonho da “era do computador” parece exagerado e irreal. Por causa de seus apelos tão amplos e porque elas ofuscam outras maneiras de encarar o assunto, essas noções merecem uma olhada mais de perto.

O Grande Equalizador

A história contém elementos de verdade, como costuma ser o caso, ainda que se trate de um mito. Aquilo que uma vez foi uma sociedade industrial está se transformando em uma economia de serviços, uma tendência que emerge em forma de mais mudanças na produção material dos países em desenvolvimento, onde os custos de mão-de-obra são baixos e os negócios, lucrativos. Ao mesmo tempo em que a industrialização se dá em nações subdesenvolvidas, a desindustrialização está mudando gradualmente as economias da América do Norte e da Europa. Algumas das indústrias de serviço centrais nesse processo são aquelas que dependem de e sistemas de comunicação computadores altamente sofisticados. Mas isso não significa que futuras possibilidades de emprego vão aparecer aos borbotões na indústria de microeletrônica e nos serviços de informação. Alguns estudos, incluindo aqueles do US Bureau of Labor Statistics, sugerem que a grande maioria de novos empregos serão em serviços que exigem baixa qualificação, pagando salários relativamente baixos. Enquanto robôs e softwares de computadores absorvem uma parcela crescente das tarefas de fábrica e escritório, a “sociedade da informação” vai oferecer muitas oportunidades para faxineiros, enfermeiros e atendentes de lanchonete.

Os românticos da computação também estão corretos quando percebem que a computadorização altera as relações sociais de poder e controle, embora eles interpretem erroneamente a direção que esse processo parece tomar. Aqueles que serão os mais beneficiados são, obviamente, as grandes corporações transnacionais. Embora o seu “alcance global” não se dá apenas através da aplicação das tecnologias de informação, essas organizações existem unicamente para explorar a eficiência, a produtividade, o comando e o controle que a nova eletrônica torna possível. Outros beneficiários do uso sistemático de grandes quantidades de informação digitalizada são as burocracias públicas, as agências de inteligência e o exército, organizações que operariam com menos eficiência não fosse pelo poder do uso do computador. Pessoas normais, é claro, são fortemente afetadas pelo funcionamento dessas organizações e pela rápida difusão dos sistemas eletrônicos em bancos, seguros, taxas, fábricas e escritórios, na diversão caseira, e assim por diante. Espera-se delas também que sejam ávidas consumidoras de hardware, software e serviços de informação, pois os produtos para computadores precisam de um mercado.

Mas onde, nessa agitação toda, vemos o aumento da democratização? Ou a Igualdade social? Ou a aurora da renascença cultural? Os progressos atualmente verificados na era da informação sugerem que há um aumento de poder para aqueles que já dispunham de um pouco de poder, melhorias na centralização do controle para aqueles que se prepararam para assumi-lo, e mais riqueza para aqueles que já eram ricos. Longe de apresentarem uma revolução em padrões de influência social e política, os estudos empíricos sobre os computadores e mudanças sociais geralmente mostram grupos poderosos adaptando métodos informacionais para reter o controle. Isso não é surpreendente. Aqueles melhor situados para obter as vantagens do poder de uma nova tecnologia muitas vezes são os mesmos que já estavam bem situados para usufruir de riqueza, posição social e institucional. Assim, se é que existe uma revolução do computador, o melhor palpite é de que ela terá um caráter distintamente conservador.

Uma vez admitidas, essas tendências proeminentes podem ser alteradas. É possível que uma sociedade firmemente baseada em sistemas de computadores e comunicação seja a mesma em que a democracia participativa, o controle político descentralizado e a igualdade social sejam completamente realizados. Um progresso desse tipo deveria ocorrer como o resultado dos esforços dessa sociedade no sentido de ultrapassar muitos obstáculos e atingir essas metas. Os entusiastas do computador, entretanto, raramente propõem ações deliberativas desse tipo. Ao invés disso, eles sugerem veementemente que a boa sociedade vai ser realizada como um efeito colateral, uma conseqüência da proliferação dos aparatos da computação. Evidentemente, não há necessidade de tentarmos formar as instituições da era da informação, de modo a maximizar a liberdade humana ao mesmo tempo em que colocamos limites para a concentração do poder.

Para aqueles que desejam esperar passivamente enquanto a revolução do computador acontece, o determinismo tecnológico deixa de ser uma mera teoria e se torna um ideal: um desejo de incorporar as condições trazidas pela mudança tecnológica sem preconceito. Não há nada de novo nessa disposição. O romantismo em torno do computador nada mais é do que a última versão da fé dos séculos XIX e XX que vimos antes, aquela que sempre tem o dever de gerar liberdade, democracia e justiça através de abundância material disseminada. Assim, não há necessidade de uma indagação mais séria sobre os projetos mais apropriados para as novas instituições ou sobre a distribuição de custos e recompensas. Enquanto a economia estiver crescendo e o maquinário estiver em perfeito funcionamento, o resto se encaminhará sozinho. Nas versões prévias desta convicção simplória, a abundante (e, portanto, democrática) sociedade se manifestava através de um estoque ilimitado de casas, dispositivos e bens de consumo. Agora o “acesso à informação” e o “acesso aos computadores” foram para o topo da lista.

Os argumentos políticos dos românticos da computação baseiam-se em algumas hipóteses chave: (1) as pessoas estão privadas de informação, (2) informação é conhecimento, (3) conhecimento é poder, (4) o crescente acesso à informação aumenta a democracia e distribui mais igualmente o poder social. Tomadas como afirmações separadas e em combinação, estas crenças fornecem um cenário lamentavelmente distorcido do papel dos sistemas eletrônicos na vida social.

É verdade que as pessoas enfrentam uma séria escassez de informação? Ao ler sobre a revolução da informática alguém poderia supor que este é um problema parecido com a crise da energia em 1970. A capacidade de persuasão desta crença apoia-se no nosso sentimento de que a alfabetização, educação, conhecimento, mentes bem informadas e a ampla disponibilidade das ferramentas de pesquisa são, inquestionavelmente, bens sociais, e de que, em contraste, o analfabetismo, a falta de educação e as restrições forçadas de conhecimento estão entre os piores males da história. Deste modo, parece superficialmente plausível que um mundo capaz de reconectar a humanidade com grandes bancos de dados e sistemas de informação será um passo em direção ao progresso. A escassez de informação seria remediada do mesmo modo que, desenvolvendo-se um novo combustível, pode-se resolver o problema da crise de energia.

Infelizmente, a idéia é extremamente falha. Ela confunde estoque compartilhado de informação com habilidade de adquirir conhecimento e de agir de modo efetivo com base nesse conhecimento. Em muitas partes do mundo, esta habilidade infelizmente não existe. Mesmo algumas sociedade altamente desenvolvidas ainda apresentam desigualdades crônicas de distribuição de boa educação e habilidades intelectuais básicas. O exército americano, por exemplo, agora rejeita ou demite por justa causa um alto percentual de jovens homens e mulheres recrutas porque eles simplesmente não sabem ler os manuais militares. Não existe dúvida que esses recrutas tem uma boa porção de informação sobre o mundo, informação que retiram da sua experiência de vida, da escolarização, dos meios de comunicação de massa, e assim por diante. O que os torna “analfabetos funcionais” é o fato de que eles não aprenderam a traduzir esta informação para o domínio das habilidades práticas.

Se a solução dos problemas de alfabetização e educação pobre fosse somente a questão do acesso à informação, então a melhor política poderia ser aumentar o número de bibliotecas bem abastecidas, com a certeza de que elas seriam construídas onde ainda não existem. É claro que isso seria ineficiente, a não ser que as pessoas fossem suficientemente bem educadas para usar essa bibliotecas para expandir seu conhecimento e entendimento. Os entusiastas da informática, entretanto, não são conhecidos por suas tomadas de partido em favor do aumento da ajuda às bibliotecas e escolas públicas. É a informação eletrônica fornecida através das redes que eles apontam como crucial. Aqui está um caso em que a obsessão por um tipo particular de tecnologia causa uma negligência para com os problemas mais óbvios e suas soluções mais evidentes. Ao mesmo tempo em que é verdade que sistemas de computação e informação, inteligentemente estruturados e sabiamente aplicados, poderiam ajudar a sociedade a elevar parâmetros de alfabetização, educação e conhecimento geral, é pura bobagem olhar para esses instrumentos sem primeiro ver como eles esclarecem e fortalecem a mente humana.

“Como todo mundo sabe, conhecimento é poder”. Essa é uma idéia atrativa, mas altamente enganadora. É claro que conhecimento empregado em circunstâncias particulares pode ajudar a agir efetivamente e, nesse sentido, aumentar o poder de alguém. O conhecimento de um citricultor sobre as condições de geada o habilita a tomar medidas para prevenir o dano na colheita. O conhecimento de um político sobre a opinião pública pode ser de grande ajuda numa campanha eleitoral. Mas é claro que não há uma ligação positiva e automática entre conhecimento e poder, especialmente se isso significa poder no senso social ou político. Às vezes o conhecimento traz simplesmente uma impotência esclarecida ou paralisia. Alguém pode saber exatamente o que fazer mas não ter recursos para agir. Dentre muitas das condições que afetam o fenômeno do poder, o conhecimento é apenas mais uma e de modo algum a mais importante. Deste modo, na história das idéias, os argumentos de que o conhecimento especializado deve ter um lugar especial na política – os filósofos-reis para Platão, os engenheiros para Veblen – eram sempre algo contrário à sabedoria predominante. Para Platão e Veblen era óbvio que conhecimento não é poder, situação que eles esperavam remediar com suas idéias.

Um equívoco igualmente sério existente nos entusiastas da informática é que eles acreditam que a democracia é a primeira e mais importante questão referente à distribuição de informação. Como um particularmente extravagante manifesto exclama: “Existe uma explosão de informação dispersa na tecnologia e nós achamos que a informação tem que ser compartilhada. Todos os grandes pensadores da democracia disseram que a chave para a democracia é o acesso à informação. E agora nós temos uma chance de colocar a informação nas mãos das pessoas como nunca antes.” Mais uma vez cada afirmação nos faz crer que um público democrático deveria ter a mente aberta e ser bem informado. Um dos grandes males da sociedade totalitária é que se dita o que as pessoa podem saber e se impõe uma política de segredo para restringir a liberdade. Mas a democracia não é baseada apenas (ou primeiramente) nas condições que afetam a disponibilidade da informação. O que a distingue de outras formas políticas é o reconhecimento de que as pessoas como um todo são capazes de se autogovernarem e de que elas têm plenos direitos de governar a sociedade. Como conseqüência, a sociedade política deve construir instituições que permitam ou mesmo encorajem uma maior liberdade de participação democrática. O quão longe uma sociedade deve ir para dar a autoridade política e disponibilizar as regras públicas para pessoas comuns é um ponto de disputa entre teóricos políticos. Mas nenhum estudioso sério da questão daria muito crédito para que a idéia de criar uma rede universal para disseminar informação é, por si só, um passo democratizante.

O que, então, da idéia de que “interação com a informação através de um bom aparelho, através de uma boa rede para um computador bom” promoverá uma renovação envolvendo senso político e participação? Leitores que acreditam nesta afirmação deveriam me contatar para tratar de algumas parcelas da terra de meu sobrinho que estão em promoção na Flórida. Níveis relativamente baixos de participação dos cidadãos prevalecem em algumas democracias modernas, nos EUA, por exemplo. Existem muitas razões para isso, de muitos modos a sociedade pode tentar aperfeiçoar as coisas. Talvez oportunidades de trabalhar na área pública ou influenciar a política pública são muito limitadas; neste caso, ampliando as oportunidades. Ou talvez as propostas colocadas aos cidadãos sejam tão pálidas ao ponto de que o tédio é uma resposta válida. Neste caso, aperfeiçoando a qualidade destas propostas. Mas não é válido aceitar que o entusiasmo em relação à atividade política será estimulado somente pela introdução de sofisticadas máquinas de informação.

O papel que a televisão ocupa na política moderna deveria dar uma idéia de por que isso é assim. A participação pública nas eleições tem persistentemente declinado enquanto a TV substitui a política de face a face de grupos e vizinhanças. A monitorização passiva de notícias e informações eletrônicas permite que cidadãos sintam-se envolvidos enquanto diminui o desejo de fazer parte ativamente. Se as pessoas começarem a contar com um banco de dados computadorizado e telecomunicações como o primeiro significado do exercício do poder, isso é conceber que o conhecimento político genuíno baseado primeiramente em experiência desapareceria completamente. A vitalidade da democracia política depende da boa vontade das pessoas em agir em busca de suas finalidades comuns. Isso requer que os membros da comunidade se coloquem perante os outros, falem de seus pensamentos, premeditem a trajetória da ação e decidam o que farão. Isso é consideravelmente diferente do modelo sustentado como um avanço para democracia: conectar-se ao computador de alguém, receber as últimas informações e enviar de volta uma resposta instantânea digitada.

Um capítulo da recente história da política ilustra a força da participação direta em contraste com a política de informação eletrônica. Em 1981 e 1982 dois grupos de ativistas estabeleceram o que poderiam fazer para parar o aumento das armas nucleares. Um dos grupos, Ground Zero, optou contar somente com os meios de comunicação de massa para emitir a mensagem para o público. Seus líderes apareceram pela manhã em programas de entrevistas e à noite em todos os noticiários da maior rede de TV. Eles seguiram com uma solicitação em massa pelo correio usando endereços de um banco de dados computadorizado. Ao mesmo tempo o outro grupo, o Nuclear Weapon Freeze Campaign, iniciou com uma proposta pelo congelamento dos encontros bilaterais nucleares na Inglaterra, lugar onde a participação cidadã ativa tem uma longa tradição. Ganhando a aprovação da idéia de muito encontros regionais, o Nuclear Freeze group expandiu em direção de uma série de iniciativas estatais. Mais uma vez a chave estava na aproximação pessoal direta, através de centenas de encontros, jantares e festas em casas através do país.

O efeito dos dois movimentos foi extremamente diferente. Após a publicidade inicial, o Ground Zero foi largamente ignorado. Eles fizeram um exercício efêmero de mídia. A campanha do Nuclear Freeze, entretanto, continuou a ganhar influência na forma de um incrível suporte público e de habilidade para aplicar pressão nas autoridades oficiais. Por fim, o último grupo começou a usar e-mails, aparições televisivas, e com isso alavancou a causa. Mas nunca pode-se esquecer a máxima: pessoas trabalhando juntas por fins compartilhados.

De todas as idéias políticas dos entusiastas da computação, não existe nenhuma mais comovente que a crença de que o computador esta destinado a tornar-se um potente equalizador da sociedade moderna. O suporte para essa crença encontra-se no fato de que os pequenos computadores pessoais estão tornando-se mais e mais poderosos, menos caros e mais simples de usar. Tendências desagradáveis associadas ao enorme custo e à inacessibilidade técnica dos computadores num passado recente brevemente estarão superadas. Um escritor explica: “As forças de centralização que caracterizaram os mainframes e o design dos microcomputadores neste período agora tem sido revertidas”. Isso significa que o débil projeto que coloca-se inocuamente no desktop estará, de fato, dentro de poucos anos, contendo poder eletrônico suficiente para tornar-se efetivamente igualitário”. Presumivelmente, cidadãos comuns equipados com microcomputadores estarão aptos para conter a influência das grandes organizações baseadas nos computadores.

Noções desse tipo refletem as crenças dos revolucionários do século dezoito e dezenove que, colocando armas de fogo nas mãos das pessoas, foram cruciais para barrar autoridades entrincheiradas. Na Revolução Americana, na Revolução Francesa, na Comuna de Paris e na Revolução Russa o papel das “pessoas armadas” era central no programa revolucionário. Na derrota militar da Comuna de Paris, entretanto, o fato de as forças populares possuírem armas não foi decisivo. Na competição de força contra força, o maior, mais sofisticado, mais cruel, melhor equipado freqüentemente tem mais chances. Conseqüentemente, a disponibilidade do poder da computação a custos baixos pode mudar a base que define a dimensão eletrônica da influência social, mas isso não altera o relativo balanço do poder. Utilizar um computador pessoal não faz ninguém mais poderoso, segundo a Agência de Segurança Nacional, do mesmo modo que voar num pára-quedas não torna ninguém apto para entrar na Força Aérea Americana.

Em suma, as expectativas políticas dos entusiastas da computação raramente são mais que fantasias. Crenças difundidas de que o uso dos computadores causará o desabamento das hierarquias, a queda da desigualdade, o florescimento da participação, e de que o poder centralizado vai ser dissolvido simplesmente não se mantém se colocadas sob um acurado escrutínio. A formula informação = conhecimento = democracia carece de substância real. Cada ponto, este erro traz a convicção que a computadorização inevitavelmente moverá a sociedade em direção a uma boa vida. E ninguém terá que levantar um dedo.

Tradução: Paola Manica, Angelita Kasper e Luciana

NOTAS

1. Veja, por exemplo, Edward Berkeley, The Computer Revolution (New York: Doubleday, 1962); Edward Tomeski, The Computer Revolution: The Executive and the New Information Technology (New York: Macmillan, 1970); and Nigel Hawkes, The Computer Revolution (New York: E. P. Dutton, 1972). See also Aaron Sloman, The Computer Revolution in Philosophy (Hassocks, England: Harvester Press, 1978); Zenon Pylyshyn, Perspectives on the Computer Revolution (Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-HaIl, 1970); Paul Stoneman, Technological Diffusion and the Computer Revolution (Cambridge: Cambridge University Press, 1976); and Ernest Brami and Stuart MacDonald, Revolution in Miniature: The History and Impact of Semiconductor Electronics (Cambridge: Cambndge University Press, 1978).
2. Michael L. Dertouzos in an interview on “The Today Show,” National Broadcasting Company, August 8. 1983.
3. Daniel Bell, ‘The Social Franiework of the Information Society,” in The Computer Age: A Twenty Year View, Michael L. Dertouzos and JoeI Moses (eds.) (Cambridge: MIT Press, 1980), 163.
4. Veja, por exemplo, Philip H. Abelson, “The Revolution in Compurers and Elcctronics,” Science 215:751-753, 1982.
5. Edward A. Fienbaurn aind Pamela McCorduc. The Fifht Generation: Artificial Intelligence and Japan´s Computer Challenge to the World (Reading: Mass Addison- Weasley, 1983).8
7. Quoted in Jacques Vallee, The Network Revolution: Confessions of a Computer Scientist (Berkeley: AndIOr Press. 1982). 10.
8. Tracy Kidder. Sou! of a New Machine (New York: Avon Books, 1982), 228.
9. The Fifth Generation. 14.
10. James Martin. Telernatic Sociee’v: A Challenge for To,norro ei’ (Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-HaiI. 1981), 172.
11. Ibid.,4.
12. Starr Roxanne Hiltz and Murray Tteroff, The Netctork Narion: Human Communication via Computer (Reading. Mass.: Addison-Wesley, 1978), 489.
13. lbid.. xxix.
14. Ibid., 484.
15. Jbid.. xxix.
16. The Network Revolution, 198.
17. John Naisbitt, Megatrends: Ten New Directions Transfornning Our Lives (New York: Warner Books, 1984). 282.
18. Arnitai Etzioni, Kenneih Laudon. and Sara Lipson, “Participating Technology: The Minerva Communications Tree,’ Journal of Communications, 25:64, Spring 1975.
19. J. C. R. Licklider. “Computers and Government,” in Dertouzos and Moses (eds.), The Computer Age, 114, 126.
20. Quoted in 77w Ftfth Generarion. 240.
21. Occupational Outlook Handbook, 1 982-1 983, U.S. Bureau of Labor Statistics, Bulletin No. 2200. Superintendent of Documents, U.S. Government Printing Office, Washington. D.C. See also Gene 1. Maeroff, “The Real Job Boom Is Likely to be Low-Tech,” New York Titnes. September 4. 1983, 16E.
22. See, for example. James Danziger et ai., (‘onnputers and Politics.
23. For a study of the utopia of consumer products in American democracy, see ieffrey L. Mcikle. Twentieth Centur Limited: industrial Design in America, 1925-1939 (Philadelphia: Tempie University Press, 1979). For other utopian dreams see Joseph 1. Com, Tire Winged Gosøel: America ‘s Romance with A viation. 1 900-1950 (Oxford: Oxford University Press, 1983); Joseph J. Com and Brian Horrigan. Yesterday s Tontorrows: Past Visions of America ‘s Future (New York: Summit Books. 1984); and Erik Barnow, The Tube of Plentv (Oxford: Oxford University Press: 1975).
24. The Fifth Generation. 8.

  • Valeria Vargas

    Obrigada pelo resgate. Esse texto é excelente!!!!