Outros olhares para os fazeres do computar: potenciais contribuições da fenomenologia e do existencialismo aos fundamentos de Design de Interação

Apresentei este resumo de artigo, sobre Álvaro Vieira Pinto e Design de Interação, no dia 28 de julho de 2015, no GT “10 (Fenomenologia, Sociedade e Diálogos Interdisciplinares) do II Congresso Brasileiro de Psicologia & Fenomenologia.

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PARA CITAÇÃO

GONZATTO, Rodrigo Freese; MERKLE, Luiz Ernesto. Outros olhares para os fazeres do computar: potenciais contribuições da fenomenologia e do existencialismo aos fundamentos de Design de Interação. In. Anais do II Congresso Brasileiro de Psicologia & Fenomenologia e IV Congresso Sul Brasileiro de Fenomenologia (2015: Curitiba, PR), de 27 a 29 de julho de 2015 – Curitiba, Universidade Federal do Paraná, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Psicologia, Laboratório de Fenomenologia e Subjetividade (LabFeno), 2015. p.316. Disponível em <http://www.gonzatto.com/fenomenologia-existencialismo-designdeinteracao>.

RESUMO 

Resumo: Neste trabalho apresentamos alguns potenciais de contribuições da fenomenologia e do existencialismo aos fundamentos do Design de Interação, área cujos interesses envolvem os fazeres do computar, tal como o uso, a produção e a apropriação de artefatos computacionais em atividades humanas. Entre os fundamentos que orientam a pesquisa nesta área, ainda é notável a disseminação de perspectivas cognitivistas e formalistas, que muitas vezes restringem a análise ao próprio artefato, ou ao seu emprego instrumental, desconsiderando outras dimensões do existir e do conhecer. Os pressupostos destes enfoques tem sido tensionados pela aproximação de outros aportes teóricos, tais como os fenomenológico-existenciais. Estes problematizam, por exemplo, o dualismo corpo-mente, ao evidenciar a inseparabilidade entre experiência e mundo, os modos como as pessoas dão sentido e constroem suas realidades, e ampliando a compreensão das tecnologias na vida cotidiana. Entre os esforços de pesquisa, um conceito com grande ressonância na área é o de “affordance”, com origem na psicologia ecológica de Gibson, mas reinterpretado pela Engenharia Cognitiva pelo viés da psicologia cognitiva, e que vem sendo revisto em uma matriz fenomenológica. Em outro caso, Dourish resgata Husserl e Heidegger na proposta de “interação corporificada”. Fallman também os utiliza na análise de dispositivos móveis. Svanaes retoma ideias de Heidegger e de Merleaut-Ponty para compreender corpo, percepção e uso de ferramentas. Pelle Ehn também busca fundamentos em Heidegger para o Design Participativo. Dentre nossos interesses, realçamos uma das primeiras aproximações do pensamento heideggeriano, a noção de amanualidade (“ready-to-hand”) em Winograd e Flores, que evidencia a dimensão existencial da ação cotidiana do uso de artefatos. No Brasil, temos o intelectual brasileiro Álvaro Vieira Pinto, que trabalhou extensamente o existencialismo e a fenomenologia, juntamente ao materialismo dialético, na compreensão de ciência, tecnologia e existência. A noção de amanualidade de Vieira Pinto amplia a de Heidegger, entendendo o mundo como construído. No Design de Interação, isto permite expandir o foco, indo do instrumental formal à compreensão dialética do existir mediado pelo computar. O levantamento realizado neste artigo não é extensivo, mas articula outros olhares em Design de Interação, que podem dialogar de modo interdisciplinar com áreas do conhecimento por vezes consideradas impermeáveis e disjuntas.

Palavras-chave: Design de Interação, Interação Humano-Computador, fenomenologia, existencialismo, amanualidade