mitomano-novembro2013 Imagem meramente ilustrativa.

Resenha crítica do novo espetáculo ‘Mitômano’ (novembro de 2013)

Esta é uma resenha baseada em vidências sobre o novo espetáculo Mitômano de Cesar Munhoz, 3 shows que estão para ser apresentados neste final de ano, a partir de novembro/2013.

‘Mais ou menos voluntário’

Esse mitômano de Munhoz sempre me atiça. É curioso: mesmo sabendo que cada apresentação é única, e eu insisto em dizer para amig@s: ‘Vai no show do Munhoz, você vai gostar’. Que besteira! Que garantia eu posso dar se nunca vi um mitômano igual? Se eu mesmo continuo indo, pra saber no que vai dar?

Eu já tinha visto ele estrebuchar no chão na apresentação anterior, mas tinha achado que ele tinha inventado de fazer isso naquele exato momento. Não era? Ele começa a conversar com os presentes como se quisesse saber de alguma ideia realmente boa sobre o que fazer para aquele momento ser realmente especial. Não seria ele quem devia já ter feito isso? César canta na hora que a música programada começa a tocar, mas interrompe para pensar assim que sente que os presentes esperavam mais dele – ou quando estavam começando a gostar. Ele até tenta novamente depois, mas é como se todos esperassem um bis.

Sempre que assisto suas apresentações, me questiono sobre esse trânsito entre ficção e realidade. Mas em nenhum momento isso aparece como denúncia. Não se trata de um jogo no qual ‘artista’ monta um quebra cabeça para confundir, testando se o público distingue entre o que é script e o que é improviso. Não vai ter questionário no final da performance pra ver quem entendeu mais ou menos. Querer dizer que esta parte aqui foi encenação mas aquela lá foi autêntico, só vai deixar todo mundo triste. Não deixe as pessoas tristes. Perde você, perde também o Munhoz. Sob a idéia de que a verdade precisa ser desvelada, qualquer coisa que se desvele parece verdade. Mas não é porque um dia você descobriu que acreditava em uma mentira, que toda vez que desacreditar de algo estará diante de uma verdade.

Quem me disse isso foi o próprio Cesar Munhoz, é sério, acredite. Não, ele não falou isso. Ele disse outras coisas. É sério, acredite. O espaço criado neste espetáculo é tipo um experimento espontaneamente calculado justamente para sobreviver meio que sabendo disso. É, sim, tudo feito na hora, assim como tudo foi planejado. A performance começou bem antes das 20h, e você lendo isso aqui achando que ela tinha terminado.